A obesidade já representa um problema de saúde pública em muitos países industrializados. Mas vem crescendo o número de pessoas com excesso de peso nos países em desenvolvimento. Considerada a doença da modernidade, pode ser o resultado do desenvolvimento tecnológico, que proporcionou maior oferta de alimentos, junto com mudanças na composição do padrão alimentar de várias populações, que passaram a ingerir mais alimentos ricos em gorduras e açúcares. Aliado a isso, o homem do século XX apresenta um consumo energético muito menor que o se seus antepassados, os quais desempenhavam tarefas domésticas e profissionais que exigiam maior atividade muscular. O Brasil não foge a esse panorama, pois considera-se que 6% da população brasileira apresenta algum grau de obesidade.
A comparação de dois importantes estudos brasileiros, um efetuado em 1974 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), outro realizado em 1989 – a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN), demonstrou que o país passa pelo que os estudiosos chamaram de transição nutricional, pois houve um aumento expressivo da obesidade e um declínio da desnutrição energético-protéica em adultos entre 25 e 64 anos. Em 1974, os problemas de saúde relacionados à nutrição concentravam-se na desnutrição, nas anemias e nas carências de iodo e vitamina A. Embora a PNSN detectasse que parte desses problemas estava solucionada em várias regiões, o número de pessoas afetadas pelas complicações da obesidade, como hipertensão arterial (pressão alta), algumas doenças cardíacas e diabetes mellitus tipo 2, havia aumento consideravelmente.
Há 30 anos, quando a TV ainda não era colorida e a indústria de alimentos pouco conhecia sobre seu potencial de vendas, vamos nos lembrar de que a nossa alimentação era predominantemente caseira, com boa oferta de cereais, como arroz e derivados de trigo e milho, e leguminosas, como o feijão e a ervilha, que estavam diariamente na mesa. Cereais e leguminosas dão uma excelente combinação nutritiva e boa saciedade. Hoje essa dupla genial está sendo cada vez mais substituída pelos sanduíches, altamente calóricos, pouco nutritivos e que saciam por menos tempo. As saladas eram só temperadas com sal, limão ou vinagre e óleo, não se usavam ainda tantos molhos, engordurados e cheios de sal.
É possível reverter essa situação? Acreditamos que sim. A partir da conscientização de cada um de nós, esse panorama pode ser revertido. Pois o consumidor deve direcionar a indústria, os estabelecimentos comerciais e a mídia de alimentos para aquilo que julgar mais adequado para si. Assim, estaremos investindo num futuro próximo, que é o amanhã de nossos jovens e crianças. |